O Clube Dos Cinco- (The Breakfast Club) – 1985
Existem várias pessoas e estilos, um cérebro, uma princesa, o rebelde, a psicótica e o atleta.
Oi
gente, essa é a primeira crítica de abertura desse blog, e não poderia
deixar de comentar sobre um dos meus filmes preferidos, então vamos lá! Tenho certeza que ao olharem a imagem acima vocês
pensaram “que velharia de filme é esse?” Opps! Velharia não, é um clássico
ultra, mega cult, e como tais, nunca envelhecem. O Clube dos Cinco (The Breakfast
Club) é um filme norte-americano do gênero drama produzido em 1985.
Escrito e dirigido por John Hughes e estrelado por Emilio Estevez (Andrew "Andy" Clark), Molly Ringwald (Claire Standish), Judd Nelson (John Bender), Anthony Michael Hall (Brian
Johnson), Ally Sheedy (Allison
Reynolds), Paul Gleason (Diretor
Richard Vernon). A década de 80 é o baú
dos tesouros para filmes cool, e
este é um deles, ele simplesmente é perfeito em sua proposta inicial: mostrar o
quadro caraterístico da juventude dos anos 80. Acertou em cheio, e continua sendo
atual 35 anos depois.
O filme
começa com a narração da seguinte carta: Sábado,
24 mar 1984. Shermer High School, Shermer, Illinois. 60062. "Caro
Sr. Vernon, aceitamos o fato de que nós tivemos que sacrificar um sábado
inteiro na detenção pelo que fizemos de errado ... e o que fizemos foi errado,
mas acho que você está louco por nos fazer escrever este texto dizendo-lhe o
que pensamos de nós mesmos. Que te importa? Você nos enxerga como você deseja
nos enxergar ... Em termos mais simples e com definições mais convenientes.
Você nos enxerga como um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um
criminoso. Correto? Essa é a maneira que nós nos víamos, às sete horas desta manhã.
Passamos por uma lavagem cerebral."
Uma carta, escrita e
narrada pelo até então desconhecido ‘nerd’ Brian
(Anthony Michael Hall). Durante a leitura da carta são mostradas as imagens de uma
escola e da chegada dos cinco castigados, alguns chegando com os pais e as mães, os deixando com ‘segurança e preocupação’
na escola. De início dá para sentir o conflito existente na vida
destes, os problemas na escola são causados por conflitos na família? É a
primeira pergunta que paira no ar.
Assim o longa mostra um dia na vida de cinco adolescentes,
que por terem se comportado mal na escola, ficam
detidos nesta, um sábado inteiro como uma forma de penalidade educacional, cada
um apresentando personalidade diferentes mas no decorrer da história vão trocar
experiências que mudarão suas vidas ao se conhecerem melhor. Ou seja, uma ideia
simples, inovadora, considerada minimalista, porém brilhante, ao mostrar que um ótimo filme não precisa de alto custo de produção.
Como atividade de punição, o diretor da escola Richard (Paul Gleason) passa
uma redação com no mínimo mil palavras, sendo que o tema da redação consistia
em falar como eles enxergavam eles mesmos. Daqui se inicia história,
nenhum deles pode se mover de seus cantos, se falarem ou saírem da sala.
Óbvio que
vocês sacaram que nenhum deles seguirá nenhuma destas regras.
A profundidade dos personagens começa a ser mostrada aqui. A grande sacada
desta obra está na exposição dos conflitos familiares, na atmosfera escolar sem
aqueles enfeites tipo High School Music,
onde todo mundo é perfeitinho, bonitinho, tão felizinhos. É diferente porque a realidade da adolescência na escola é mostrada sem mesmice, sem ser demasiado
piegas, mostrando a prejudicial prática de bullying. Este é o clube, formado por adolescentes comuns rotulados por uma sociedade estereotipada.
O Clube dos Cinco é formado por: rebelde John Bender (Judd Nelson), o ator Judd Nelson dá vida a Bender, o personagem que dá um up no
enredo, o mais rebelde, enfrenta problema
familiares graves, não causa uma boa impressão à primeira vista. Mas no
decorrer da história você começa a entender o porquê de ele ser ‘desprezível’
inicialmente. Ele e Claire, a
princesa, vão ter uma relação de amor e ódio, uma linha bem tênue. Despreza a
tudo e a todos, não importa em ferir os sentimentos dos outros, porque ele
mesmo já está bem ferido. Detenção causada por vandalismo escolar e indisciplina.
Claire Standish (Molly Ringwald), a princesa. É a bonitinha e perfeitinha do grupo,
representa o status rico e fútil do clube. É usada como desculpa pelos pais
para não se divorciarem (tema bem atual), a inspiração dos insultos de Bender,
acusada pelos outros de usar a sexualidade provocativa como charme. Sua frase de
efeito é, eu sou popular, você me
veneram! Detenção causada por
gazear aula para ir ao shopping com as BFF.
Brian Johnson (Anthony Michael Hall), o cérebro. É o nosso
tão conhecido nerd, é ele que narra e escreve a carta símbolo que representa
todos eles. É ele que define a característica de cada um, o amigão de todos. Segundo Bender, ele é o filho
perfeito de todo papai! Seu personagem é tímido, calado, mas
vai se tornando bem descolado!
Sofre na família por ser o
inteligente e que não pode tirar menos de 10 nas avaliações. Detenção causada
por levar uma “arma” para a escola (uma crítica que antecipou muitos acontecimentos trágicos).
Andrew "Andy" Clark (Emilio Estevez), o atleta. Acho
que nem preciso definir detalhadamente este personagem. Mas uma coisa o torna
diferente dos outros, ele é o mais tranquilo e compreensivo. As aparências enganam e muito. Andy sofre porque o pai o pressiona bastante para ele ser sempre o melhor atleta, e ser como aqueles idiotas que praticam bullying com os não populares. Detenção
causada por praticar bullying.
Allison Reynolds (Ally Sheedy), o caso perdido.
É a personagem mais misteriosa
do clube, de início chegamos a pensar que ela sofre algum distúrbio mental. Uma
péssima primeira impressão. O problema dela não é a pressão dos pais, e sim, a
ausência deles, não que ela seja órfã, quase isso, eles a ignoram.
Os pais de Allison simplesmente não se
importam! Detenção causada por, ah ela não
fez nada, foi para escola porquê não tinha o que fazer no sábado. Genial!
No decorrer do filme acontecerá cenas
super legais, a trilha sonora é sem igual, anos 80 puro, na sua melhor forma. E
quando eles cantam e dançam dá vontade de ir junto, de viajar no tempo. E ficar
frustrado ao mesmo tempo, por não ter participado de uma geração tão original.
O elenco do filme é espetacular, jovens atores promissores. Eles faziam parte da
turma de cinema Brat Pack, são atores e atrizes
que alcançaram a fama por aparecerem frequentemente juntos em filmes para adolescentes nos anos
80.
Ah, não posso deixar de comentar uma cena clássica em que os
cinco se encontram sentados em círculo no chão da biblioteca e começam a contar
sobre o porquê da detenção, daí surge as revelações sobre os problemas que cada
um tem.
O curioso é que no
roteiro original esta cena não tinha falas, e o diretor deixou livre para que
cada ator falasse o que quisesse. Aqui está a razão da espontaneidade e
profundidade dos diálogos e isso sem falar que o roteiro do filme foi escrito
em dois dias pelo diretor John Hughes.
O Clube dos Cinco é um filme que não é cansativo,
se fosse não o teria assistido tantas vezes, por isso recomendo a vocês. É um
clássico! A grande genialidade do filme está na juventude
mostrada sem máscaras e sem pudores. Em 2008, o filme foi escolhido como um dos 500
melhores filmes de todos os tempos, ganhando popularidade cultural até
hoje. Todos
temos nosso clube dos cinco, dos seis, não importando a quantidade, e sim a
particularidade que temos. E são elas que fazem a complexidade do ser que
somos, especialmente na juventude tão transviada quanto se vê rompendo leis.
Parafraseando Brian: “você nos
enxerga como você deseja nos enxergar. Em termos mais simples e com as
definições mais convenientes.”
NOTA: 10


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