O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) 1991 – Um Mega Clássico de Imenso Impacto Cultural
Oi galera! Decidi resenhar sobre um filme super
importante para a história cinematográfica, um filme que está no meu Top 10 e desde seu lançamento causou um grande impacto na sétima arte. Tenho
uma lista de uns vinte filmes que estão na lista de preferência para criticar,
mas como sempre descubro novas películas alguns vão ficando atrás, no entanto
decidi resgatar O Silêncio dos
Inocentes.
Nos tempos atuais, tempos de violência a la Pulp Fiction, em que os termos sociopatia,
transtornos de personalidades, psiquiatria clínica avançada e ciência do
comportamento estão em alta, em termos de estudo, vários filmes já retrataram a
vida de um psicopata. Porém nenhum filme retratou de uma forma tão bela,
poética, impactante e transgressiva a mente de um. Creio que todo cinéfilo sente pelo Dr. Hannibal Lecter um misto de interesse pelo personagem, digamos grotesco. Mas para aqueles que ainda não conhecem essa figura e ainda não tiveram o prazer de assistir o filme, vamos as
considerações iniciais onde lhes explico quem é o personagem em questão.
The Silence of the Lambs (O Silêncio dos Inocentes) é
um filme de produção americana do ano de 1991; Foi dirigido por Jonathan Demme e é estrelado por Jodie Foster, Anthony Hopkins, Ted Levine e Scott Glenn. É baseado no romance homônimo de 1988 escrito por Thomas Harris, é o segundo
livro a apresentar Hannibal Lecter, um psiquiatra assassino em série canibal, o primeiro
livro que aparece é Dragão
Vermelho. Foi o terceiro
filme a ganhar o Oscar em cinco categorias: melhor filme, melhor ator, melhor
atriz, melhor diretor e melhor roteiro adaptado; também foi indicado a Globos
de Ouro e outros prêmios.
![]() |
| A atriz Jodie Foster interpreta Clarice Starling |
As primeiras cenas do filme concernem da bela estudante Clarice Starling (Jodie Foster), uma aspirante a um
comando mais alto no Federal
Bureau of Investigation – FBI, fazendo
uma corrida matinal por uma floresta sombria e espessa, Clarice está afogueada (para quem leu o
livro reconhecerá esta palavra), se exercitando como se sentisse
preparar-se para uma guerra. Guerra que está bastante próxima e que a
própria irá travar colocando toda sua coragem em prática. No mundo do FBI, onde
todo o universo é bastante masculino, ela tenta mostrar todo seu potencial
investigativo e expor que mulher também sabe atirar, lutar e sumariamente
investigar. Sua grande oportunidade surge quando Jack Crawford (Scott Glen), um agente poderoso
do FBI, a designa para refazer testes psicológicos com o terrível Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), o canibal.
Lecter é
um psiquiatra que foi preso e condenado por matar e comer, sim meus caros (canibalizar),
alguns de seus pacientes. O doutor tem um imenso apreço pelo gosto da carne
humana, matou nove pessoas até onde se pode provar. Hannibal é um exímio manipulador, descobre detalhes bastante obscuros de quem lhe interessa e capta no
olhar quaisquer resquícios impetuosos dos outros e os utiliza a seu favor. O
problema é que Hannibal nunca se deixa avaliar-se e não
concede palavra a ninguém; até surgir à determinada Clarice Starling. No momento em que a vê pela primeira vez ele sente algo diferente em
relação a estudante e inicia uma relacionamento peculiar: que ele chama de quid pro quo – algo em troca de algo. A cadete
então vai à prisão-hospital encontrar o canibal meio receosa para o encontro, ela tem de passar por um extenso corredor onde se encontram
diversas celas abrigando vários criminosos. O primeiro encontro é tenso, há um
medo no ar, mesmo assim Clarice inicia sua inflexão e Hannibal a concede palavras e palavras,
diálogos raros.
Isso deixa o diretor do hospital furioso – um ambicioso
médico que sempre tentou avaliar Lecter
– e faz de tudo para surgir
na imprensa com novas avaliações sobre o serial killer. Mesmo assim Clarice burla as cantadas do diretor e
segue com suas avaliações, a partir daqui ela e Hannibal terão alguns encontros com o
intuito de conseguir com que este revele e ajude a desvendar o mistério atrás
de outro serial killer, Bufallo
Bill. Um psicopata que matou
cinco mulheres, todas com determinadas partes do corpo sem pele, a pele tirada
de maneira profissional, cirúrgica, para ser utilizada para um propósito
bastante exótico e doentio. O filme retrata bem esta sensação
de repulsa quando Clarice observa as fotos das vítimas na
parede do escritório de Jack
Crawford, cada mulher com um
pedaço de pele faltando, é arrepiante, sinistro.
Pois bem, daqui não posso contar mais, o único detalhe que chamo a atenção meus amigos, é a forma exótica
com que Bufallo Bill (Ted Levine) marca suas vítimas, cada uma
carrega uma mariposa caveira na garganta. Aliás, procurem na
internet sobre esta rara espécie, é linda. Com as charadas
do doutor canibal e sua determinação, Clarice corre contra o tempo para que Bill não mate a sua sexta vítima, que é
filha de uma importante senadora americana. Com o sequestro da filha de uma
senadora as investigações deste as ganham redobrada atenção tanto do FBI quanto
da imprensa. Aliado a toda esta sinopse de ação e suspense há a poesia por trás
dos personagens centrais, cada um com suas peculiaridades e problemas pessoais,
o filme não cai na mesmice por isso, cria um diferencial, drama.
Jonathan Demme soube
dirigir o filme de forma prestigiosa, a maneira com que conduziu a adaptação do
livro para um roteiro cinematográfico é bem elaborado, realmente tal feito é digno
de admiração. Apesar de ter alguns sucessos em sua filmografia, nenhum repetiu
a mesma repercussão que The Silence of
the Lambs, afinal por este trabalho ganhou o Oscar de melhor diretor. A
fotografia também é um dos pontos chaves da película, o ambiente enevoado
mesclado com cores acres, cremes e cinzas nos transcende ao sombrio e sinistro.
E por sua vez o vermelho nos traz a conotação famosa de morte e sadismo, o
vermelho sempre presente nas cenas em que Dr.
Hannibal faz jus a sua alcunha de doutor canibal.
Aliás, as cenas de canibalismo são
suportáveis, são cenas que nos rememoram a psicopatia de Lecter, nos mostrando que psicopatas não são recuperáveis. Não são
cenas que nos dão nojo, no mínimo ficamos petrificados na tela ao observar o grotesco. Este não é um filme apelativo, está muito
longe disso, é uma obra-prima, não é cinema exploitation
(é o cinema apelativo que abusa de efeitos especiais, sensacionalista; vide o
filme polêmico Cannibal Holocaust – assisti uma vez para nunca mais, chocante).
No mesmo momento que você observa um doutor cavalheiro tudo desmorona ao
vermos a sua verdadeira natureza.
Jodie Foster surge no auge de sua
juventude com uma beleza leve, mas com pontos de determinação que expõe em sua Clarice, e seu talento foi reconhecido
com louvor com tal interpretação. Scott
Glen é um veterano do cinema que sabe o que faz, compõe cada personagem na
medida certa, dá o tom certo a um Jack
Crawford com aflições e anseios. Ted
Levine dá vida a um psicopata com sérios problemas, transtornos causados
por um ambiente, há cenas impecáveis e impressionantes dele. Mas o que falar de
Anthony Hopkins? O melhor. Simplesmente se consagrou como um dos maiores atores de sua geração,
atuação IMPECÁVEL, nos mostra uma expressão vazia de uma mente doentia.
O romance implícito entre Clarice Starling e Hannibal Lecter é exposto
de forma sutil e bem poética, formando assim uma espécie de cumplicidade entre os
dois, o filme nos faz ter uma pontinha de entusiasmo para que os dois fiquem
juntos ou que nos esclareçam o sentimento que os norteia. A favor disto, há uma
cena belíssima em que os dois em seu último encontro, Lecter sentado em uma cela improvisada, como se fosse uma gaiola, e
Clarice do lado de fora o observando
entre as barras, titubeando os olhos azuis zombeteiros do doutor. O encontro
era clandestino, ela foi por sua conta em risco, ao ser descoberta ela é
retirada à força de seu encontro, ao ver isto Lecter a entrega uma pasta de investigação sobre Bufallo Bill, ela ao pegar a pasta de volta o olha. Ao fazerem esta troca de
olhares, os dedos indicadores dos dois se tocam, e tal toque reflete no
interior dos dois, é uma cena belíssima!
Aquele toque refletiu-se nos olhos dele.
-Obrigado,
Clarice.
-Obrigada, Dr. Lecter.
E assim ficou ele na memória de Clarice.
Flagrado no instante em que não estava
zombando.
O Silêncio dos
Inocentes constitui uma obra-prima definitiva do cinema, é um filme para nunca ser
esquecido, um clássico de verdade
nunca envelhece. Hannibal e Clarice são personagens complexos cada um com seu
tom particular que transgridem do mundo real. A história
do doutor canibal ganhou continuação no cinema e Hopkins continuou com sua atuação magnífica, já Foster decidiu não seguir em frente por
não concordar com os rumos de sua personagem, fez falta!
Nota: 9.3
Até a próxima!!!
Não esquece de comentar o que você achou do filme ou se vai assistir!




Comentários
Postar um comentário
Comente, deixe sua opinião sobre o conteúdo lido!